“Eu”

22/05/2009 at 0:00 (Poema) (, , )

- Eu -

Eu moro em um mundo que, para qualquer lado que eu olhe a paisagem é a mesma.

 

 E isso era tudo para mim.

 

Até o dia que sem eu menos esperar, algo bateu nesta paisagem e um pouquinho dela quebrou.

Com isso, consegui ver uma coisa diferente.

Uma coisa que nunca tinha visto antes.

E eu me esforcei para saber o que era.

 

Descobri que eu tinha algo na frente dos meus olhos, que poderia modificar a paisagem que sempre achei ser a única.

 

Então eu quebrei esse algo para ver o que havia. E eu consegui.

 

Quando quebrei aquela coisa, soube que a paisagem que via era só uma casca e além daquilo havia um mundo com várias cores.

Existe o marrom que está onde piso,

Existe o verde que está ao meu redor,

Existe o preto que não me deixa ver nada e

Quando o mundo preto é inundado pela luz branca,

Aparece o azul em cima de tudo que eu já tinha visto.

 

A primeira vez que vi alguém, ela se movia como o vento, podia ir ate lá no azul que eu via e quando ficava tudo preto, ela vinha e ficava do meu lado me aquecendo.

Um dia, de tanto me mexer querendo chegar no azul, percebi que eu tinha a mesma coisa que ela mexia pra ir até lá.

 

Então, eu tentei fazer como ela.

 

E então descobri que eu era parecido com ela. Tinha tudo que ela tinha.

O bico grande que ela usava para comer as coisas,

Os pés para conseguir agarrar as coisas e não soltar,

As penas que esquentavam tudo que estava perto e

As asas que eu podia mexer para voar.

 

No começo, eu não conseguia voar direito.

Caía várias vezes.E como me machucava! E olha como doía…

Via os outros voando, pensava que nunca conseguiria ficar igual a eles e desistia.

Mas a pessoa que me aquecia nos momentos sombrios, sempre estava do meu lado.

Sempre que caia ela estava lá para acariciar o ferimento e dizer como poderia melhorar.

Sempre que eu olhava os outros voando ela falava que eu também poderia chegar lá.

Sempre que eu me perdia no caminho ele me guiava para conseguir ir mais longe.

 

Então, eu tentei alcançar o céu.

 

Quando soube que o marrom era a terra, o verde era a árvore e o negro era a escuridão,

Achei que sabia tudo e poderia alcançar o céu.

Porque eu já podia voar,

Porque eu já sabia quem eu era,

Porque eu já sabia o que o mundo era.

 

Mas nas tentativas, soube de uma coisa mais importante.

 

Ao saber que tinha uma pessoa na árvore onde nasci me olhando,

Conseguia tentar ir mais longe sem o medo de cair,

Conseguia descansar sem me preocupar com nada até eu me recuperar e

Conseguia olhar para o céu novamente e tentar alcançá-lo.

 

Então, eu comecei a tentar várias vezes e consegui chegar cada vez mais alto e distante…

 

Autor: Maria Kisaragi

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